quinta-feira, 5 de maio de 2011

O PERFIL DA EDUCADORA E DO EDUCANDO NO CONTEXTO HOSPITALAR.

                                                                       NETO, Zilma Rodrigues¹


RESUMO – O objetivo desse artigo é de traçar o perfil da educadora e do (a) educando (a) no ambiente hospitalar, de forma sumária, evidenciando as necessidades, fragilidades e limites que as pessoas em condições especiais de saúde apresentam. É imprescindível colocar o sujeito que aprende em primeiro lugar, depois as idéias e as coisas.


Palavras chaves: Perfil da educadora, perfil do educando, sujeito que aprende.

INTRODUÇÃO

            Antes de qualquer prática pedagógica hospitalar devemos fazer uma pergunta fundamental: Quem é esse sujeito em condições especiais de saúde que aprende na pediatria, hemodiálise, diálise, ambulatório, quimioterapia, clínica médica, clínica cirúrgica, ortopedia, maternidade, casa de apoio e no próprio lar? 
A educadora, nesses ambientes, que imagem constrói de si mesma? O que favorece a mudança de paradigmas e construção de novos conceitos? Os educadores são formados para trabalharem em ambientes escolares como desenvolver a sua capacidade de resiliência no espaço e tempo hospitalar? Penso ser o momento oportuno de dialogarmos sobre essas questões.

HOSPITAL: QUE LUGAR É ESTE?

Ambiente físico: Tem sofrido muitas transformações para atender melhor o paciente, oferecendo lhe mais qualidade de vida e perspectiva de recuperação. Perguntamos a vários profissionais do ambiente hospitalar como é o hospital fisicamente. As respostas foram sobre o ambiente social; e, ainda com insistência, responderam: “é um lugar grande, silencioso, seguro, tranqüilo, limpo, acessível, pouca iluminação natural, muito compartimentado, cores claras, pálidas, sem brilho, cheio de equipamentos tecnológicos, presença de muitas pessoas”, etc. Percebe-se descrição do ambiente físico perpassa pela memória das vivências deste espaço.
Ambiente social: Espaço democrático para atender as necessidades de saúde da população em condições especiais de saúde (que possuem patologias). Descrever este ambiente é rebuscar as sensações, as emoções, as experiências adquiridas como paciente, como educando, acompanhante, visitante ou profissional da saúde e ou da educação. Lugar de sofrimento, de dor, de medo, de angústia e de morte; é fragmentador, uniformizador, quantificador, despersonalizador, desumanizador, incomunicável; também é espaço de construção de esperança, de cura, de encontro consigo mesmo, de afeto, de vida nova, etc. Afirma Oliveira (2007) que um ambiente que proporciona a cura, também pode adoecer, já que a dessubjetivação representa uma situação de risco para a saúde. Existe uma energia que não vemos, mas sentimos, segundo Costa, é a energia que chamamos de biopsicamagnética produzida pelo nosso ser. Um ser que pensa. O pensamento nada mais é do que ondas concentradas e inteligentemente organizadas de um quantun de energia biopsicomagnética. Pensamos e sentimos o tempo todo, liberamos uma energia psíquica que adquire vida própria, impregnando o ambiente de forma-pensamento negativa ou positiva.

A EDUCADORA

O corpo docente que forma a Pedagogia Hospitalar em Goiás é composto por mulheres que desempenham várias funções na sociedade, graduadas em pedagogia ou licenciaturas, sendo que a maioria pós-graduadas na área da educação. São pessoas de boa aparência, disciplinadas, pontuais, assíduas, criativas, dinâmicas, comunicativas, envolventes, sensíveis, perceptivas, pesquisadoras, estudiosas, ponderadas, flexíveis, afetivas, equilibradas, éticas, ou seja, são ricas em valores humanos e são conscientes de sua docência.
O que fazem? Mediam a construção do processo de ensino e de aprendizagem, focam no sujeito que apesar de estar em condição especial de saúde continua aprendendo, conforme afirma Ceccim.
Como fazem? Apresentam-se nas enfermarias e informam sobre o Projeto Hoje-Atendimento Educacional Hospitalar, convidam os pacientes para participarem da Classe Hospitalar¹ fazem a escuta pedagógica² e solicitam ao educando a execução de uma atividade interativa que servirá de sondagem referencial para o desenvolvimento do plano de aula, dentro da abordagem sócio-histórica-cultural. Mediam as atividades pedagógicas na classe hospitalar e nos leitos de forma personalizada individualmente ou no coletivo.
Para quê? Para valorizar e reintegrar o ser humano numa visão holística ao extra e intra – hospitalar.
Por quê? Por acreditar que o sujeito é capaz de aprender em qualquer momento, estado e local. E que todo cidadão tem direito à educação escolar formal e não formal, com base nas leis de nosso país.
Essas educadoras são conhecidas no ambiente hospitalar como “AS MULHERES COR-DE-ROSA”, por ser esta a cor de seus jalecos, que na nuance das cores é salmão. Chamo-as de “MULHERES MARAVILHOSAS”, por suas dedicações e compromissos com resgate à vida.
É oportuno enfatizar a importância da vida espiritual, precisamos acessar o nosso sagrado para termos condições de consolo nos momentos de embate com a dor e com as perdas imaginárias e reais.


O (A) EDUCANDO (A)

    
Surge uma primeira questão para traçar o perfil do educando hospitalizado, em tratamento, em reabilitação e em convalescença. Ele é visto e entendido como sujeito com vontades, necessidades e desejos ou só um mero objeto de cuidados? A princípio, observamos dois paradigmas que devem ser desconstruídos e reconstruídos paulatinamente dentro da Classe Hospitalar e no Atendimento Pedagógico Domiciliar. O primeiro é uma percepção dos profissionais da saúde, o doente é um paciente, que deve aguardar os procedimentos médicos de forma passiva sem o direito de perguntar, duvidar e reclamar de sua situação de adoecimento. Esses, percebem e valorizam os tumores, as patologias e os procedimentos terapêuticos paliativos. O outro paradigma é a dos professores que só veem os alunos como um sujeito sem luz e passivo; nesse contexto, ainda é um paciente. A forma de como o profissional da educação percebe este sujeito é determinante para a tomada de decisões a respeito de como ele será atendido pedagogicamente.
Que tipo de consulta e encontro pedagógico pode ser programado com essas duas percepções?
O educando hospitalizado e em outras situações especiais de saúde são oriundos da região Centro-oeste, Norte e Nordeste; são internos nas instituições hospitalares conveniadas com o Sistema Único de Saúde – SUS, e em diversas clínicas. São atendidos pelo Projeto Hoje aqueles com idade acima de dois anos e de ambos os sexos, matriculado ou não na rede regular de ensino público ou privado. As condições físicas, psicológicas e emocionais destes gera grande instabilidades do humor, apresentando: angústia, ansiedade, insegurança, agressividade, apatia, baixa estima, medo,  fraqueza, alta sensibilidade, insônia, inibição, anorexia, distúrbio de comportamento, etc. Todas estas condições são geradas pela patologia, pela separação de seus familiares, de seus amigos, animais, brinquedos, objeto de prazer, distanciamento da escola ou do trabalho. Conforme Viegas (2007), para a criança, a adaptação é difícil, ela se torna agressiva ou surpreendentemente dócil – é um dos sinais de depressão, pior que a agressividade. Nas hospitalizações prolongadas, pode surgir o nanismo psicossocial – a criança para de crescer. Surgem também situações boas, como amizade com os profissionais da saúde, com os outros pacientes e acompanhantes, e por fim a possibilidade de interagir e continuar estudando com as educadoras hospitalares que mediam a construção de novos saberes, de reconquista à sua auto estima, de aumento do desejo de cura, de aprendizagem da situação patológica e, o seu retorno à escola de origem sentindo-se incluído na vida social novamente.

CONSTRUÇÃO

A construção do perfil da Educadora e do Educando no ambiente hospitalizado é imprescindível para encontrarmos o epicentro do Atendimento Educacional Hospitalar, os sujeitos devem vir em primeiro lugar, é preciso ser para aprender, viver e conviver. Viegas afirma que o educador deve ir aonde o aluno está,  e se há um aluno hospitalizado, lá deve haver um educador.
Os educandos em condições especiais de saúde têm seus direitos garantidos por leis específicas que são claras a respeito da prestação de cuidados de saúde e de educação no hospital.
A Pedagogia Hospitalar é um novo ramo da pedagogia geral, alarga os horizontes da educação sendo impossível ignorar os benefícios desta aos sujeitos, ao processo educacional, às instituições hospitalares e ao processo de humanização na construção da interface Educação/Saúde.


Referência Bibliográfica.

CECCIM, Ricardo et alii. Criança Hospitalizada - uma escuta integral à vida. Porto Alegre: Editora UFRGS, 1997.

MEZZOMO, Augusto A. et alii. Fundamentos da Humanizaçao Hospitalar- uma visão multiprofissional. Local: Ed., 2003.

VIEGAS, Drauzio. Brinquedoteca Hospitalar- Isto é Humanização.-Rio Janeiro: Wak Ed., 2007.

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